Falaram-me de dois mundos desiguais. Um deles é o nosso; o outro, teimando ser nosso, não nos consegue pertencer. Talvez porque nós não o aceitamos tal qual ele é. Talvez porque ele não consegue se enquadrar no que nós precisamos, seja lá o que isso for. Parece-me que, no fundo, o que os distingue não é mais do que algo aleatório que nem se quer é real.
Falaram-me de formas diferentes de o rio correr no leito, sobrevoando em círculos, insistindo em não desaguar no modesto corpo de água salgada a que chamámos mar. Esse, disseram-me eles - seres imaginários, quem sabe; talvez mais reais do que nós próprios -, apesar de ser transparente, já nem se via, não sustentando qualquer forma de vida a não ser emoções: as nossas próprias emoções, que de tão abafadas que se encontravam, nem a água conseguiam mover.
As emoções eram pequenas partículas que se iam encontrando pelo ar e se avizinhavam de qualquer forma que se encontrasse em constante movimento, mesmo que fosse um movimento parado. Soltavam-se dos seres de uma maneira quase irreal, nem sei bem se foi assim que me contaram. Também, quem me diz que é verdade tudo aquilo que me revelam? Quem sabe não será realmente verdade. Quem sabe não será realmente verdade, mas apenas na cabeça deles. Deixará de ser verdade, então, se apenas existe numa outra forma de vida? Porque, no fundo, existe!
Falaram-me de emoções que eu conhecia tão bem: a alegria, a tristeza, a raiva, o medo. No entanto, acabei por perceber que tudo isso era sentido de forma diferente. E se assim o é, como poderei algum dia entender esse tipo de existência? Quero, contudo, perceber o que não sou, o que não tenho, o que não sinto. Se existe, haverá forma de se entender. Quero, com todas as forças destes dois mundos, compreender.
Contei-vos sobre as nuvens? Descreveram-me esses grandes pedaços de algodão como figuras perdidas no céu, que fugiam para encontrar um lar. Também elas andavam perdidas, como parecia que andava tudo o que por lá se encontrava. Tentaram ser bastante explícitos. Disseram-me que as nuvens eram a incerteza a tentar-se escapar pelo ar. Talvez não soubessem que não havia forma de evitarem as dúvidas, a ânsia e os sentimentos que desconheciam. Há coisas que não podemos controlar, e parece que isso é o que mais aproxima estes dois mundos.
Fiquei-me confusa, por longos momentos, várias vezes ao dia. Tanto existe que eu não conheço e sei que é real, como me sentirei ao saber que existe ainda mais do que aquilo que eu alguma vez imaginei? Querendo tanto possuir a irrealidade e fazer dela a minha própria vontade, tentei transportar-me para um mundo de sonhos.
Acordei.
Percebi, finalmente, depois de tantas noites a tentar dormir - a sonhar acordada -, que tudo o que me contaram era mentira. Não que fosse realmente mentira. Estas diferenças eram genuínas, mas apenas aos olhos de outros. Cada olhar era diferente, não a visão em si. Não existiam dois mundos desiguais. Apenas pessoas diferentes que viam as coisas de forma desigual. As pessoas têm os mesmos sonhos, e continuam a sonhá-los diferente, a vivê-los diferente.
As pessoas são estranhas. Estranhas porque são diferentes de mim, ou então serei eu diferente delas. Estranhas ou porque não pertencem ao mesmo mundo que o meu ou porque mesmo pertencendo a ele, o vemos de formas diferentes, aleatórias. E o aleatório sempre dependeu do incerto.
Falaram-me de formas diferentes de o rio correr no leito, sobrevoando em círculos, insistindo em não desaguar no modesto corpo de água salgada a que chamámos mar. Esse, disseram-me eles - seres imaginários, quem sabe; talvez mais reais do que nós próprios -, apesar de ser transparente, já nem se via, não sustentando qualquer forma de vida a não ser emoções: as nossas próprias emoções, que de tão abafadas que se encontravam, nem a água conseguiam mover.
As emoções eram pequenas partículas que se iam encontrando pelo ar e se avizinhavam de qualquer forma que se encontrasse em constante movimento, mesmo que fosse um movimento parado. Soltavam-se dos seres de uma maneira quase irreal, nem sei bem se foi assim que me contaram. Também, quem me diz que é verdade tudo aquilo que me revelam? Quem sabe não será realmente verdade. Quem sabe não será realmente verdade, mas apenas na cabeça deles. Deixará de ser verdade, então, se apenas existe numa outra forma de vida? Porque, no fundo, existe!
Falaram-me de emoções que eu conhecia tão bem: a alegria, a tristeza, a raiva, o medo. No entanto, acabei por perceber que tudo isso era sentido de forma diferente. E se assim o é, como poderei algum dia entender esse tipo de existência? Quero, contudo, perceber o que não sou, o que não tenho, o que não sinto. Se existe, haverá forma de se entender. Quero, com todas as forças destes dois mundos, compreender.
Contei-vos sobre as nuvens? Descreveram-me esses grandes pedaços de algodão como figuras perdidas no céu, que fugiam para encontrar um lar. Também elas andavam perdidas, como parecia que andava tudo o que por lá se encontrava. Tentaram ser bastante explícitos. Disseram-me que as nuvens eram a incerteza a tentar-se escapar pelo ar. Talvez não soubessem que não havia forma de evitarem as dúvidas, a ânsia e os sentimentos que desconheciam. Há coisas que não podemos controlar, e parece que isso é o que mais aproxima estes dois mundos.
Fiquei-me confusa, por longos momentos, várias vezes ao dia. Tanto existe que eu não conheço e sei que é real, como me sentirei ao saber que existe ainda mais do que aquilo que eu alguma vez imaginei? Querendo tanto possuir a irrealidade e fazer dela a minha própria vontade, tentei transportar-me para um mundo de sonhos.
Acordei.
Percebi, finalmente, depois de tantas noites a tentar dormir - a sonhar acordada -, que tudo o que me contaram era mentira. Não que fosse realmente mentira. Estas diferenças eram genuínas, mas apenas aos olhos de outros. Cada olhar era diferente, não a visão em si. Não existiam dois mundos desiguais. Apenas pessoas diferentes que viam as coisas de forma desigual. As pessoas têm os mesmos sonhos, e continuam a sonhá-los diferente, a vivê-los diferente.
As pessoas são estranhas. Estranhas porque são diferentes de mim, ou então serei eu diferente delas. Estranhas ou porque não pertencem ao mesmo mundo que o meu ou porque mesmo pertencendo a ele, o vemos de formas diferentes, aleatórias. E o aleatório sempre dependeu do incerto.

♥♥
ResponderEliminar:')
EliminarQue bonito :)
ResponderEliminarMuito obrigada (:
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