sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Gosto de ti como um eufemismo

Tu. Foste tu que me mostraste que eu sou feita de saudades. És a minha metáfora em forma de gente, que corre de mim, querendo fugir, corre para mim, querendo fugir. E eu corro para ti, e quase te alcanço nessa tua bolha formada pelos teus mais puros sentimentos, emoções em turbilhão, gritos que deixaste de gritar. Para mim é impossível entrar. O mundo não somos só nós os dois. Tens que sair para mim, que eu deixo que me encontres, mesmo sem me procurares. Grita para mim. Grita que eu irei ouvir todos os teus devaneios e irei ser louca contigo! Connosco tudo é possível desde que seja loucura... 

Eu quero-te tanto e quero tanto não te querer. És, por isso, a minha antítese mais pura e verdadeira. Se te quero desta forma, porque haveria de te querer de outra? Só te quero: apenas. 

Permite-me que te diga que és em mim, algo que eu sinto que não existiu. Não foste real. Nem és. Quem és tu, que me deixou terrivelmente caótica? Parece impossível que seja verdade. Qual paradoxo em constante rodopio... Para mim não és real, e no entanto, continuas a ser das realidades que mais mexe com o meu coração. Sinto-o estremecer perante qualquer coisa que me faça lembrar de ti. E qualquer coisa? É tudo... 

O tempo vai passando, de forma tão lenta, tão rápida, tão confusa, que já nem te sei. Deixei de te saber. E fui abrindo uma bolha só minha, não permitindo que mais ninguém entre. Se achares que sim, é o meu corpo que está a mentir. Porque só a ti é que ele diz a verdade. Só a ti é que ele cede, cometendo os erros mais puros. 

Sabes? Sei que pensas que sempre soubeste tudo o que me dizia respeito, mas nem que te abrisse por completo o meu coração, conseguirias perceber isto que eu sinto, porque nem a mim ele se quer explicar. É um ser com vontade, o meu coração. É a personificação de tudo aquilo que eu sinto por ti, de tudo aquilo que me fazes sentir. E fazes sentir tanto! 

Dás-me um conjunto de sensações que me entorpecem. Deixaste o meu coração parado a bater por ti. Desfizeste as minhas mágoas e moldaste-as à tua maneira, tornando-as mais reais. Fizeste-me ser tão eu e tão desvairadamente louca por ti, que me trocaste as voltas, deixando-me perdida. E eu que já era perdida de mim, agora encontro-me perdida de ti... 

Quero apenas que saibas que gosto de ti como um eufemismo. E haverá melhor forma para dizer isto se só assim o consigo dizer? Se nunca tive palavras para o dizer, se nunca gostei de algumas palavras para te dizer aquilo que sinto. Sabes que eu não gosto de certas palavras, não sabes? Mas sempre gostei de ti... E não quero que saibas a verdade. Por isso, tapa-me a boca com um beijo dos teus, que é para mim como uma culpa inocente, uma desculpa que me condena, reprime, controla, sufoca. Enlouquece. Enlouqueces-me. 

És o meu conjunto de figuras de estilo, loucura a andar pelas ruas, a dormir ao meu lado na cama onde ficamos acordados, porque é impossível conseguir adormecer quando te tenho tão próximo de mim, quando te posso passar os dedos pelos lábios, e delinear o sorriso que é teu, mas eu te dou. És mais complicado que regras gramaticais. É difícil seguir os teus passos, sem nunca saber onde vou parar. Sabes, mostraste-me apenas que és a exceção da regra...

Capa do álbum de Marcelo Camelo, Sou (2008) editada.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Eu preciso, eu quero...

Esta manhã não acordei sozinha. E ainda bem que assim foi. Não deve ser fácil acordar constantemente sozinha numa cama onde cabem três de mim. Não iria mudar a minha vida, a minha cama, então foi necessário encontrar uma solução, que já existia bem antes de me dar conta dela... Sempre fez parte de mim...

Acordei com vontade de gritar, expor os meus sentimentos, desvendar os meus segredos. Nunca ninguém disse que era mau sermos nós próprios, sem nada a esconder, certo? Sempre pensei que seria essa a resposta a muitas das minhas perguntas que às vezes ficam por formular, inacabadas, tal rio que acaba por não desaguar, por ter outros sítios onde vaguear, entregando-se em devaneios, errando sem destino...

Sinto-me bem! Porque não acordei sozinha, senti-me bem e sorri. Adoro todas as manhãs em que acordo assim, com um novo dia pela frente, pronto a ser moldado. Com um conjunto de ações que teremos de escolher, errando, acertando, vivendo!

Esta manhã não acordei sozinha, acordei comigo mesma, cheia de sonhos, esperanças e emoções. Tão preenchida por todas essas coisas, que senti que não acordava comigo mesma, mas com duas ou três pessoas iguais a mim. Sinto-me em excesso, como se fosse possuída por várias almas. Soube bem. Soube bem saber que estou presente em mim, consciente dos meus pequenos momentos de loucura, respirando suspiros de felicidade, como se sozinha conseguisse alcançar tudo o que eu quisesse. E consigo! Porque duas de mim, três de mim são a força que preciso para ser feliz. E ser feliz é tudo o que eu preciso, tudo o que eu quero...

Gritei a mim mesma tudo o que havia para gritar: sei bem o que sinto, não escondo nada de mim. E gosto que assim seja, porque agora não me sinto mais vulnerável. Posso proteger-me. Posso ser eu! E... eu gosto tanto de ser eu!