Dá a sensação de estarmos presos dentro de uma mesma bolha, sem podermos de lá sair. Ou talvez seja eu que não consigo, ou não tento. Custa-me tanto fazer esforços! Não aproveitando a oportunidade de escapar dela, sufoquei-me de uma magia qualquer que cheirava a paixão, a medo, a desejo, a esperança, a medo. Repeti-me? O medo fala mais alto. Passou de odor a algo palpável, que até mesmo com o toque das minhas mãos consigo sentir. Elas que não foram feitas para isso, mas a quem não sobra mais nada. Disse-me ele, no outro dia, que me queria a mim, tanto que até lhe doía cada parte do seu corpo inexistente, repleto de destroços do meu coração. Afinal o medo tem boca. Tem dedos, porque teimam em puxar-me para ele. Mas descobri uma coisa: se o medo fala, se o medo existe e se o medo tem vontade, também a tem a esperança.
Agora é só ver qual dos dois fala mais alto!

Quem escolhes? Ou melhor, quem deixas falar mais alto? Porque nesta corrida, o fim baseia-se sempre nas escolhas. O medo dissolve a esperança, no meio de uma dor insuportável. Quando já não há força para viver mais um momento, mais uns quantos. E desistir passa a ter um sabor fácil de digerir. O medo vai sufocar a esperança e faz o mesmo contigo, se assim o deixares. Essa é a via a que ele se entrega, quando lhe dizes sim, quando o deixas entrar.
ResponderEliminarA esperança agarra-te à vida e empurra-te o destino. Mas ela não se mexe sozinha, terás de acompanhá-la. Fazer dela a tua realidade, aquela realmente importante. Ela traça-te o caminho e não te deixa perder na dúvida. Desfaz a ansiedade. Preenche o sonho. Dá-lhe a mão e caminha com calma. Encontra-a no teu lar, no teu canto e não te esqueças de fechar a porta. O medo espreita, sempre. Ele não se esquece de ti. Não te preocupes, só precisas de fechar a porta.