segunda-feira, 11 de agosto de 2014

O fim é um princípio qualquer


Não sei como começar. Dirijo-me a ti ou a todos? Será que irás compreender se me dirigir a ti? Teimo em acreditar que todos perceberão melhor o que sinto se o fizer. Mas porque hei de me dirigir ao mundo se o quero fazer apenas a ti? No entanto, dirigir-me-ei ao mundo: simples, porque, neste momento, o meu mundo és tu. Como gosto de clichés!

Recordo tão bem as vezes em que me deitei perto de ti, tentando aproximar-me sempre um pouco mais. Sabes, a minha intenção não era ter-te perto de mim. Minto. Claro que te queria perto de mim. Sentir o teu cheiro, ou melhor: reconhecê-lo. Porque era sinal de que me habituara a ele. E eu gosto de hábitos. Gosto de rotinas, desde que me façam feliz. Ter o meu rosto próximo do teu pescoço e manter-me quieta, só a sentir o teu cheiro e saber que iria poder senti-lo durante o tempo que quisesse, porque: eras meu. Tu sabes que sim. Sabes, também, que gostava que me sentisses: era tua. Gostava de tocar no teu rosto e imaginar que terias saudades que o fizesse quando estivesse longe. E irias pedir que voltasse, só para que te tocasse outra vez. E como gostava tanto de tocar nos teus lábios, que eram mais suaves do que eu consigo lembrar. Teria que tocá-los novamente para completar as minhas memórias: primeiramente com os meus dedos, enquanto delineavas aquele sorriso, depois com os meus lábios, de forma a acalmar o bater do meu coração. Ou quando juntávamos os nossos pés, entrelaçávamos as nossas pernas para que não nos pudéssemos soltar. Porque haveria eu de querer fazê-lo, se tu eras onde eu mais queria estar? Mas… o que eu queria mesmo era aproximar-me de ti, da forma que mais ninguém o tivesse feito. Aquela forma em que tu sorrias para mim (e eu sabia que era só para mim!), quando me contavas os teus segredos, mesmo que fossem sussurrados ao meu ouvido, quase não os conseguindo ouvir.

Gostei de ti. Sim! Gostei de ti, porque dizer “amei-te”, como dizia uma personagem qualquer de uma série que eu tanto gostava, não fazia parte do meu ADN. São somente palavras, porque o sentimento continua lá. Era até como tu dizias: não sei expressar o quanto gosto de ti, não sei que palavra utilizar, porque talvez não exista uma palavra para isso. Gostei de ti no preciso momento em que me pediste segredo. E eu ia jurar que eras tu o teu maior segredo. O teu, e consequentemente, o meu. Descobrir-te era parte do meu plano. 

Acreditei que ia ter-te sempre comigo no instante em que me prendeste, abraçando-me, enquanto eu, já de costas para ti, reclamava do teu jeito. E disseste-me coisas bonitas. Tudo o que dizias era bonito, até mesmo as piores coisas. Porque, sabes, era a mim que as dizias, e eu gostava de te ouvir. Gostava de te ouvir, de te falar. Gostava de te ter. E por isso, sentia a tua falta em todos os instantes em que não te tinha. São as saudades em que te trago todos os dias.

Sabias bem que eu não gosto de dançar. Ou não consigo. É um problema meu. E ainda assim, dançava contigo aquela música, bem junto a ti, como se fosse possível ficar eternamente assim. Era assim que me sentia contigo: a querer ficar eternamente assim. Não havia um único momento que eu não quisesse que durasse para sempre. Quando me davas o teu sorriso, quando me olhavas como se dissesses que era de mim que gostavas, quando me alcançavas a mão, quando me beijavas. Lembro-me, também, de querer encostar-te à parede, em momentos de loucura, beijando-te, puxando-te para mim, e prendendo-te para que não fugisses, como se o quisesses, sabendo eu que não querias. E que esse momento durasse para sempre, que nunca mais te iria soltar, nem que permanecêssemos para toda a vida encostados a uma parede, com arranhões nas costas e quase a fraquejar. 

Quando penso em ti, penso num círculo, em que todas as voltas vão dar ao mesmo fim. E esse fim é um princípio qualquer, que nos leva sempre ao mesmo local: a nós. Mas se não somos linhas retas, então, como poderemos continuar? Quando penso em ti, penso num círculo. Sabes que um círculo é uma linha fechada, não sabes? E já pensaste que não há escapatória possível? Esta sempre foi a minha figura geométrica preferida. 

Deixa que te prenda as mãos.

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